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O que faz um intuitivo de diferente?

Não é rara a vez que ouço, em ambiente de consulta ou formação: «mas isso é fácil de dizer». Costumo responder que é bem mais difícil pôr em palavras do que fazê-lo de facto… porque na realidade é assim mesmo.

Está claro que ninguém desmonta décadas de aprendizagem social e educação familiar no espaço de uns dias e se torna repentinamente num intuitivo espiritual mais feliz. Tudo toma o seu tempo e uma escadaria sobe-se degrau a degrau.

À necessidade de um rótulo, defino-me como um intuitivo.

Ser-se um intuitivo, um espiritual ou outro qualquer rótulo social não é fácil definir já que as palavras falham ao explicar o que é realmente sentir, perceber e intuir. Todos já sentimos aqueles instintos primordiais que inconscientemente nos fazem ter certezas que nos vêm das entranhas e, ao longo da história da humanidade, foram estes que conseguiram trazer os maiores avanços (porque o não faria pela nossa história pessoal?).

Defino intuição como ‘saber subtilmente’ sem sequer se questionar porque se sabe. É diferente de pensar mas contém pensamento, é diferente da lógica mas contém logicidade, é diferente da análise mas analisável. É simplesmente saber interna e subtilmente sem se saber porque se sabe.

Mas o que faz de diferente um intuitivo?

OUVE A SUA VOZ INTERIOR
A característica número um é de facto ouvir a nossa voz interior com clareza. É ouvir o próprio pensar, mais do que ignorar a nossa própria orientação como se estivesse sempre errada ou manietada.
Confiar no tal instinto que vem das entranhas. Todos estamos conectados à nossa própria intuição, porém nem todos lhe dão ouvidos exigindo uma lógica e racionalidade de tudo,de uma forma quase patologicamente compulsiva.
Para se tomarem melhores decisões temos de oferecer equilíbrio entre o instinto intuitivo e a razão treinada pelo processo cultural. Não se esqueça que vive COM a sociedade e não DE ela ou PARA ela.

RESERVA TEMPO PARA SOLITUDE
Solitude é o estado de privacidade de uma pessoa, não significando, propriamente, um estado de solidão. É um isolamento voluntário, porém não directamente associado a sofrimento.
Se queremos entrar em contacto connosco e com a nossa própria intuição é inevitável estarmos connosco de forma efectiva e eficaz. Estar em solitude permite-nos atingir um pensamento mais profundo e claro completamente conectado com a única pessoa que nos conhece ao maior dos detalhes: nós mesmos!
Um intuitivo introverte-se com alguma facilidade, sem que seja um introvertido, procura estar só sem ficar em solidão… liga-se a si mesmo porque está na melhor das companhias.

CRIA E RECRIA
A criatividade produz o seu maior efeito quando funciona intuitivamente, quando nos sai da alma, quando é atirada das profundezas do nosso âmago para o mundo exterior.
De facto, todos os criativos são altamente intuitivos e quanto mais desenvolvem e usam a criatividade mais se ligam à sua intuição e ao seu ser mais íntimo e criador.
Intuição e criatividade estão proporcionalmente ligadas e desenvolver uma é necessariamente desenvolver a outra.

PRATICA MEDITAÇÃO
Seja por meditação em si, mindfulness, taichi ou qualquer outra arte ou prática de viagem ou nosso eu interior é sempre uma procura ao que está dentro. Como o Eremita de um baralho de tarot: aquele que viaja dentro de si seguindo a sua própria luz interior numa intuição e auto-conhecimentos organizados.
Sobre este ponto basta que leia qualquer dos meus muitos artigos para que se aperceba do quão essencial é.

OBSERVA, NOTA E ANOTA TUDO
Olhe, veja… observe! Note e anote tudo!
Ter um ou mais diários de jornada, em papel ou de forma digital, por escrito, por foto ou por desenho é provavelmente a forma mais funcional de criar uma ligação extrema e intensa com o mundo exterior. Traçar paralelismos, observar os sinais, ligar os pontos e observar cada acontecimento do quotidiano… por outras palavras: alimentar a intuição.

OUVE O SEU CORPO FÍSICO
Os tais ‘feelings‘ ou instintos que vêm das entranhas… como sentir-se mal do estômago quando sentimos que algo está mal (zona solar afectada por medo intuído). Há todo um enorme código de comunicação entre o nosso corpo e o mundo exterior que funciona ao nível do corpo físico, mental e energético. Aprender a ouvir este código e perceber a mensagem é algo que o intuitivo desenvolve.
O intuitivo aprende a ouvir os sinais do corpo e a descodificar as mensagens do mesmo de forma impressionantemente exacta, conseguindo perceber quando se trata de algo externo ou interno, energético ou físico.

EMPATIZA FACILMENTE
Quando uma aranha sobe a perna de alguém à nossa frente, conseguimos sentir o arrepio em nós, se virmos um forte abraço na televisão conseguimos sentir a intensidade da emoção… isto porque as emoções sociais (culpa, vergonha, orgulho, repulsa e luxúria) podem ser experimentadas por simplesmente as vermos.
O intuitivo leva esta capacidade um passo além criando uma verdadeira conexão de empatia e telepatia com quem ama de alguma forma. Sintonizando as suas próprias emoções, pela observação e conexão energética, experimenta altos níveis de empatia incompreensíveis para muitos.

ESTÁ ATENTO AOS SONHOS
Prestar atenção ao que se sonha, quando se sonha e como se sonha é um ponto fulcral da vida de um intuitivo de longa data. Porém, não se trata aqui de consumir livros a metro de interpretação de sonhos ou sites ‘porreiros’ pseudo-informados.
A mente possui processos de pensamento inconsciente automáticos que não só se tornam de útil análise numa perspectiva psicológica e mental, mas também nos explicam o que energeticamente o corpo perispiritual experimentou durante o sono.
Neste tema há imenso a dizer e explicar, mas agora o importante é que se trace uma atenção redobrada aos sonhos para aceder a um local privilegiado da mente… como dica: esqueça os detalhes e analise o que sentiu, com quem estava e porquê.

APROVEITA E CRIA TEMPOS ‘MORTOS’
Tal como a nossa energia (de vários tipos) a intuição sofre com acções constantes de multitasking, planeamento financeiro, stress urbano, rodear-se de pessoas negativas e esgotamento físico e mental.
Todos sentimos quando alguém é ou não positivo para nós, todos sentimos quando algo nos está ou não a fazer bem… intuitivamente sabemos tudo sobre nós, o problema é que simplesmente estamos demasiado ocupados para nos darmos atenção.
Um intuitivo toma o seu tempo como garantido aproveitando-o ao máximo e criando nele tempos mortos de introspecção e possibilitando momentos meditativos e de solitude.

Em suma, ser intuitivo é ter tempo consigo mesmo e respeitar o que sente, sabe e quer.

Posto nestes termos… ainda lhe parece uma tarefa impossível? E nem que o fosse aparentemente, não vale a pena perseguir este objectivo para ser de facto feliz?

O que vai fazer hoje de diferente?

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